Dacia Sandero Stepway TCe 110cv – Ensaio Teste

By on 24 Junho, 2023

Desde 2008 que a história do Dacia Sandero tem sido escrita. E quem viu os capítulos iniciais, não podia esperar um upgrade tão vincado como o desta terceira geração. O Sandero mudou (para melhor) em quase tudo e já longe vão os tempos em que James May falava do Sandero e provocava gargalhada geral. A apreciada filosofia pragmática da marca romena, dá agora lugar a uma relação qualidade / preço que faz qualquer pessoa que queira comprar um carro deste segmento ter este modelo em conta.

A nova geração (na estrada desde 2020) apresenta argumentos de peso, uma imagem revista, mais fresca e muito mais apelativa, com bons níveis de equipamento e uma qualidade de construção que faz esquecer os primeiros modelos. O Sandero tem crescido bem. Já tinha dito anteriormente que não era muito fã da marca, mas que o ensaio do Duster me fez mudar de ideias. O Sandero surgiu logo a seguir e manteve a bitola, que já era alta. A questão do preço é sempre de ter em conta e é aqui o grande ponto forte. Mas tendo em conta que a base do modelo é a plataforma CMF-B, que podemos encontrar no Clio V e no Captur II, podemos esperar um upgrade tremendo face à geração anterior.

A versão testada neste ensaio, a Stepway apresenta uma pinta mais aventureira de um Crossover. Não se iluda e pense que consegue grandes proezas de offroad, mas o Stepway demonstrou-se surpreendentemente eficaz em estradas mais acidentadas e caminhos menos confortáveis. O carro surpreendeu pela positiva e acabou por ser um divertido companheiro nos poucos dias de ensaio.


Mais:

Visual mais fresco, bom nível de qualidade e equipamento para o preço

Menos:

Os aspetos menos positivos são facilmente justificáveis com o preço final.

Exterior

8/10

O Novo Sandero Stepway está mais bonito. Gostos não se discutem, mas a opinião é quase unânime quando se vê a evolução do modelo. Já deixou de ser aquele carro feito de restos do grupo Renault. O Sandero ganhou mais vida, linhas mais interessantes. É imediatamente identificável através de um capô específico, nervurado e mais curvo dando-lhe um ar mais robusto, com um logótipo “Stepway” cromado sob a grelha dianteira, agora mais apelativa, e pelas aletas curvas logo acima das luzes de nevoeiro. Os pára-choques dianteiro e traseiro integram um resguardo em cor de metal. O Novo Sandero Stepway exibe os códigos de design do mundo dos crossovers, com uma distância ao solo sobrelevada de 174 mm (+ 41 mm relativamente ao Sandero, sobretudo graças a um diâmetro de pneus aumentado), às barras de tejadilho com logótipo, aos imponentes alargadores das cavas de rodas e às embaladeiras reforçadas com uma textura específica. As barras de tejadilho do Sandero Stepway são modulares. Em apenas alguns segundos, graças a uma chave guardada no porta-luvas e sem complicados processos de desmontagem, transformam-se numa sólida galeria de tejadilho, cuja capacidade de carga de 80 kg é idêntica à das barras de tejadilho convencionais.  Na frente, as óticas com a assinatura assumida pela Dacia e o novo logótipo dão mais vida ao modelo e a traseira está agora muito melhor do que era antes. Com a cor certa, o carro “tem pinta” e ninguém se lembra que é dos mais baratos do mercado.  

Interior

7/10

Se do exterior do Sandero Stepway chegam boas notícias, do interior chegam ainda mais excelentes novidades. Esta geração conta com um habitáculo agradável à vista, menos ao toque, com muitas superfícies de plástico. Mas os plásticos são minimamente agradáveis e, acima de tudo, robustos. Parte do tablier está revestido com tecido que dá mais cor ao interior. Temos estofos com logótipo Stepway que estão decorados com inserções em material têxtil e listas laranja nos contrafortes das portas e do painel de bordo. A habitabilidade é boa, com o espaço ao nível das pernas dos passageiros traseiros a ser um dos mais generosos da categoria. A capacidade de arrumação, por sua vez, pode atingir 21 litros (+2,5L) se forem contabilizados os espaços sob o apoio de braço central (1,4L), nas portas dianteiras e traseiras e nas costas dos bancos dianteiros. Para melhorar a posição de condução, o condutor pode agora ajustar o banco em altura (+/- 35 mm) e o volante em altura (+/- 2,1°) e em profundidade (+/- 25 mm) e dispor, se selecionar esta opção, de um apoio de braço individual ou central. A alavanca de velocidades é mais curta. A direção com assistência variável é 100% elétrica para oferecer um conforto acrescido, nomeadamente nas manobras mais exigentes e de estacionamento (menos 36% de esforço relativamente à anterior geração do Sandero). Os bancos são relativamente confortáveis e as viagens longas não assustam. O suporte lateral é decente e a posição de condução não é muito alta, e é agradável o suficiente. Atrás, há espaço para três adultos, e não há a sensação de claustrofobia. O banco traseiro é rebatível 1/3-2/3. No Sandero, o porta-bagagens tem uma capacidade de 328L (310L+18L), sendo dotado de um piso com duplo nível (incluído nesta versão). Além disso, pode ser destrancado, à distância, através de um botão na chave ou no cartão mãos livres. Em resumo, a sensação dentro do carro é agradável, mesmo com muito plástico à vista, com espaço, conforto aceitável e uma qualidade de construção boa e que aparenta aguentar o teste do tempo. A bagageira é generosa, e o banco traseiro não fica a perder com isso.

Equipamento

8/10

Com cinco versões à escolha, a versão ensaiada é a Expression, que começa nos 17 mil euros. Quanto a equipamentos de série, para além dos que constam no catálogo do Essential (versão base), destaque para os puxadores das portas na cor da carroçaria, os retrovisores exteriores elétricos na cor da carroçaria, as barras de tejadilho longitudinais modulares (Cinzento Quartzo), o contorno dos arejadores em cromado acetinado e Laranja Cobre, os manípulos interiores das portas em cromado acetinado, o revestimento de tecido no painel de bordo e apoios de braço nas portas dianteiras, o embelezador Laranja nos painéis das portas dianteiras, o volante Soft Feel, a câmara de marcha-atrás, o ar condicionado automático, o sensor de luminosidade e chuva, o elevador de vidro do condutor com função impulsional e antientalamento, os elevadores elétricos de vidros traseiros, o volante regulável em altura e em profundidade, as tomadas de 12V à frente e atrás e o Media NAV. Um sistema multimédia compatível com Apple Carplay™ e Android Auto™, que integra a navegação, rádio DAB, replicação de smartphone por Wi-Fi, ligação Bluetooth®, 6 altifalantes (4 altifalantes + 2 tweeters), ecrã tátil de 8” e suporte amovível para telefone. Qualquer que seja o nível de acabamento, o equipamento de série inclui um suporte para smartphone (amovível consoante as versões), um ecrã de computador de bordo, comandos do regulador e do limitador de velocidade no volante e ativação automática dos faróis. Quanto ao suporte para smartphone, é de uma utilidade tremenda, mas a sua localização deixou algumas dúvidas (logo ao lado do painel da consola central). Estão disponíveis de série ou em opção, um novo sistema de ar condicionado automático com indicação digital, cartão mãos livres com botão para abertura à distância da bagageira, travão de estacionamento elétrico, câmara de marcha-atrás, sistema de ajuda ao estacionamento dianteiro e traseiro e ativação automática dos limpa-vidros. Nesta versão tivemos também direito a um teto de abrir que traz mais luz e um toque ainda mais cool. Quanto a dispositivos de segurança, a presença de novos sensores de pressão de porta e de um acelerómetro permite uma deteção antecipada das colisões laterais para uma ativação mais rápida dos novos airbags tipo cortina e laterais que protegem o abdómen, o tórax e a cabeça. Contamos com seis airbags, cintos de segurança com limitador de esforço, pré-tensores à frente e atrás e chamada de emergência em caso de acidente (botão SOS situado ao nível da luz de teto). Além do limitador de velocidade e do ESC da última geração propostos de série, do regulador de velocidade com comandos ao volante, temos o sistema de travagem ativa de emergência, o sensor de ângulo morto, sistema de ajuda ao estacionamento e sistema de ajuda ao arranque em subida. Em suma, esta versão está muito bem equipada, e apesar da simplicidade ser ponto-chave nos Dacia, apresentam alguns “gadgets” úteis e sistemas de segurança que não receia muito a concorrência.

Consumos

7/10

Com esta motorização (já lá vamos), a Dacia anuncia um consumo combinado de 5,5 L /100km. Um número interessante, mas que será difícil de atingir no dia a dia. No final do teste, o consumo médio foi de 6,5L/100km, mas sem qualquer cuidado com as acelerações. Com uma condução mais cuidada, o consumo médio pode baixar para mais perto dos 6L/100km. Há também a opção “Eco” que torna o motor mais frugal, mas a diferença não é significativa. 

Ao Volante

7/10

O Sandero Stepway é um carro agradável de conduzir, com um pisar que não fica a dever muito a outros do mesmo segmento. Não é tão refinado em relação à concorrência de outras marcas, mas apresenta uma suspensão que não é muito dura e por isso absorve bem as irregularidades do asfalto. A direção, para viagens ditas normais, cumpre na íntegra. A ritmos um pouco mais elevados e em traçados mais sinuosos, há algum adornar de carroçaria e a direção torna-se um pouco mais vaga. Mas certamente que os interessados neste modelo não estão interessados nas capacidades dinâmicas do carro. No geral, é um carro agradável de conduzir, “bem-disposto” e que cumpre tudo o que se espera de um carro deste segmento.  No que diz respeito ao controlo das várias funcionalidades do carro, os botões de “cruise control” e de limitador de velocidade são fáceis de usar, toda a informação é apresentada de forma simples e poucos cliques garantem o acesso aos dados que queremos do computador de bordo. O controlo do sistema media, é feito pelo já habitual controlo instalado na coluna de direção, que alguns podem achar já antiquado, mas que, pessoalmente, me parece uma solução confortável, depois da devida habituação. A visibilidade é boa, a posição de condução também e no geral, a experiência é muito boa, olhando aos valores de aquisição.

Motor

7/10

O motor ensaiado é a versão de 110Cv do motor três cilindros TCe (que já só está disponível na versão Extreme. A escolha por este motor leva-o portanto para o topo de gama do Stepway). É um motor cheio de vitalidade, com um som característico que agrada aos ouvidos dos condutores mais ligados às sensações auditivas dos motores. Não tem medo de baixas rotações e enfrenta subidas sem grande trabalho de caixa.  Tem uma caixa um tudo-nada dura demais, mas que se opera com facilidade e agrado. O escalonamento da caixa é divertido para conduções mais agressivas. Para passeios de domingo e uma condução relaxada, é preciso algum controlo para evitarmos algumas acelerações e trocas de caixa mais ríspidas. O modo Eco ajuda a dissipar essa necessidade.

Balanço Final

8/10

Pode parecer um exagero, mas este Sandero deixou-me com um sorriso. Está longe de ser um topo de gama, nem tem pretensões de o ser. É um carro muito competente, com um preço deveras interessante para o equipamento disponível. Já não olhamos para o Sandero e vemos características de um veículo “low cost”. Não são necessários muitos compromissos para escolhermos um Sandero, atualmente. Se pretender um carro barato, simples, eficaz, prático, pronto para enfrentar estradas mais danificadas, com espaço suficiente e bom equipamento, esta é uma solução que certamente terá de incluir na sua lista. Se pretende algo mais refinado no que diz respeito a interiores, sensações de condução e prestações, procure noutro lado. Mas o Sandero segue fielmente a filosofia Dacia, de dar o melhor possível (e até um pouco mais) por um preço muito interessante. Quem cumpre os objetivos e até dá um pouco mais, só pode ter boa nota. 

Concorrentes

Hyundai Bayon – Desde 22 mil euros

Toyota Aygo Cross – Desde 18 mil euros

Renault Captur – Desde 24 mil euros

Suzuki Ignis – Desde 19 mil euros

Citroen C3 Aircross – Desde 20 mil euros  

Kia Stonic – Desde 18 mil euros

Ficha Técnica

Motor: TCE 110cv  Cilindrada: 999 cm3  Binário Máximo: 200 Nm  Versão: Stepway Expression  Combustível: Gasolina 95/98  Caixa de Velocidades: Caixa manual 6 velocidades  Interiores: Estofos em tecido Stepway  Cor: Laranja Atacama  Jantes: Jantes em liga leve 16″ diamantadas    Opções: 

  • Pack Safety 

o Sistema de ajuda ao estacionamento dianteiro e traseiro  o Câmara de marcha-atrás  o Alerta de ângulo morto   

  • Pack Hands-Free 

o Banco do condutor regulável em altura  o Travão de estacionamento assistido  o Cartão mãos-livres  o Consola central semi-elevada c/apoio de braço e local de arrumação • Sistema multimédia Media Nav 8″  o Media NAV: ecrã tátil 8”, navegação, rádio DAB, replicação de smartphone, Bluetooth® o Cartografia Europa Ocidental TMC  o Infotraffic 3 anos atualização mapas navegação    Equipamento de Série:   

  • Personalização exterior: 

o Barras de tejadilho longitudinais modulares   

  • Segurança: 

o Deteção da pressão dos pneus  o Airbags laterais, airbag central dianteiro, cortinas  o Chamada de emergência E-Call o Assistência à travagem de emergência  o ESP + Sistema de ajuda ao arranque em subida (HSA)   

  • Condução 

o Sensores de chuva e de luminosidade  o Quadro de instrumentos TFT 3,5″  o Volante em couro o Volante regulável em altura e profundidade  o Vidros laterais e óculo traseiro sobreescurecidos   

  • Iluminação 

o Luzes diurnas em LED  o Faróis de nevoeiro em LED  o Iluminação na bagageira o Iluminação de teto   

  • Climatização 

o Ar condicionado automático   

  • Conforto 

o Elevadores elétricos dos vidros traseiros  o Elevadores elétricos dos vidros dianteiros com função de impulso do lado do condutor  o Compatível com Android Auto™ e/ou Apple CarPlay™ o 2 entradas USB nos lugares dianteiros + 2 nos lugares traseiros  o Banco traseiro rebatível 1/3-2/3  o Tapete na zona da bagageira  o Teto de abrir elétrico Detalhes Técnicos   

  • Consumos e Emissões 

o Consumo em WLTP ciclo combinado: 5.5  o CO2 em WLTP ciclo combinado: 125  

  • Performances 

o Velocidade máxima (Km/h): 183  o Aceleração 0-100 Km/h (s): 10.00   

  • Travagem 

o Travagem traseira: Tambores  o Travagem dianteira: Discos Ventilados   

  • Pneus o Referência: 205/60 R16 

 

  • Dimensões 

o Comprimento total (mm): 4099  o Largura exterior (mm): 2007  o Altura ao solo (mm): 1587  o Volume mínimo da bagageira (dm3): 328  o Volume máximo da bagageira (dm3): 1108  o Reservatório de Combustível (L): 50   

  • Aerodinâmica 

o Nível de ruído em movimento db (A): 69.0  o Coeficiente Aerodinâmico S(M²)/Cx: 0,371    

Mais/Menos


Mais

Visual mais fresco, bom nível de qualidade e equipamento para o preço

Menos

Os aspetos menos positivos são facilmente justificáveis com o preço final.

Preços


Preço da versão ensaiada (Euros): 21800.00€

Preço da versão base (Euros): €

Exterior
Interior
Equipamento
Consumos
Ao volante
Concorrentes
Motor
Balanço final
Ficha técnica

Exterior

O Novo Sandero Stepway está mais bonito. Gostos não se discutem, mas a opinião é quase unânime quando se vê a evolução do modelo. Já deixou de ser aquele carro feito de restos do grupo Renault. O Sandero ganhou mais vida, linhas mais interessantes. É imediatamente identificável através de um capô específico, nervurado e mais curvo dando-lhe um ar mais robusto, com um logótipo “Stepway” cromado sob a grelha dianteira, agora mais apelativa, e pelas aletas curvas logo acima das luzes de nevoeiro. Os pára-choques dianteiro e traseiro integram um resguardo em cor de metal. O Novo Sandero Stepway exibe os códigos de design do mundo dos crossovers, com uma distância ao solo sobrelevada de 174 mm (+ 41 mm relativamente ao Sandero, sobretudo graças a um diâmetro de pneus aumentado), às barras de tejadilho com logótipo, aos imponentes alargadores das cavas de rodas e às embaladeiras reforçadas com uma textura específica. As barras de tejadilho do Sandero Stepway são modulares. Em apenas alguns segundos, graças a uma chave guardada no porta-luvas e sem complicados processos de desmontagem, transformam-se numa sólida galeria de tejadilho, cuja capacidade de carga de 80 kg é idêntica à das barras de tejadilho convencionais.  Na frente, as óticas com a assinatura assumida pela Dacia e o novo logótipo dão mais vida ao modelo e a traseira está agora muito melhor do que era antes. Com a cor certa, o carro “tem pinta” e ninguém se lembra que é dos mais baratos do mercado.  

Interior

Se do exterior do Sandero Stepway chegam boas notícias, do interior chegam ainda mais excelentes novidades. Esta geração conta com um habitáculo agradável à vista, menos ao toque, com muitas superfícies de plástico. Mas os plásticos são minimamente agradáveis e, acima de tudo, robustos. Parte do tablier está revestido com tecido que dá mais cor ao interior. Temos estofos com logótipo Stepway que estão decorados com inserções em material têxtil e listas laranja nos contrafortes das portas e do painel de bordo. A habitabilidade é boa, com o espaço ao nível das pernas dos passageiros traseiros a ser um dos mais generosos da categoria. A capacidade de arrumação, por sua vez, pode atingir 21 litros (+2,5L) se forem contabilizados os espaços sob o apoio de braço central (1,4L), nas portas dianteiras e traseiras e nas costas dos bancos dianteiros. Para melhorar a posição de condução, o condutor pode agora ajustar o banco em altura (+/- 35 mm) e o volante em altura (+/- 2,1°) e em profundidade (+/- 25 mm) e dispor, se selecionar esta opção, de um apoio de braço individual ou central. A alavanca de velocidades é mais curta. A direção com assistência variável é 100% elétrica para oferecer um conforto acrescido, nomeadamente nas manobras mais exigentes e de estacionamento (menos 36% de esforço relativamente à anterior geração do Sandero). Os bancos são relativamente confortáveis e as viagens longas não assustam. O suporte lateral é decente e a posição de condução não é muito alta, e é agradável o suficiente. Atrás, há espaço para três adultos, e não há a sensação de claustrofobia. O banco traseiro é rebatível 1/3-2/3. No Sandero, o porta-bagagens tem uma capacidade de 328L (310L+18L), sendo dotado de um piso com duplo nível (incluído nesta versão). Além disso, pode ser destrancado, à distância, através de um botão na chave ou no cartão mãos livres. Em resumo, a sensação dentro do carro é agradável, mesmo com muito plástico à vista, com espaço, conforto aceitável e uma qualidade de construção boa e que aparenta aguentar o teste do tempo. A bagageira é generosa, e o banco traseiro não fica a perder com isso.

Equipamento

Com cinco versões à escolha, a versão ensaiada é a Expression, que começa nos 17 mil euros. Quanto a equipamentos de série, para além dos que constam no catálogo do Essential (versão base), destaque para os puxadores das portas na cor da carroçaria, os retrovisores exteriores elétricos na cor da carroçaria, as barras de tejadilho longitudinais modulares (Cinzento Quartzo), o contorno dos arejadores em cromado acetinado e Laranja Cobre, os manípulos interiores das portas em cromado acetinado, o revestimento de tecido no painel de bordo e apoios de braço nas portas dianteiras, o embelezador Laranja nos painéis das portas dianteiras, o volante Soft Feel, a câmara de marcha-atrás, o ar condicionado automático, o sensor de luminosidade e chuva, o elevador de vidro do condutor com função impulsional e antientalamento, os elevadores elétricos de vidros traseiros, o volante regulável em altura e em profundidade, as tomadas de 12V à frente e atrás e o Media NAV. Um sistema multimédia compatível com Apple Carplay™ e Android Auto™, que integra a navegação, rádio DAB, replicação de smartphone por Wi-Fi, ligação Bluetooth®, 6 altifalantes (4 altifalantes + 2 tweeters), ecrã tátil de 8” e suporte amovível para telefone. Qualquer que seja o nível de acabamento, o equipamento de série inclui um suporte para smartphone (amovível consoante as versões), um ecrã de computador de bordo, comandos do regulador e do limitador de velocidade no volante e ativação automática dos faróis. Quanto ao suporte para smartphone, é de uma utilidade tremenda, mas a sua localização deixou algumas dúvidas (logo ao lado do painel da consola central). Estão disponíveis de série ou em opção, um novo sistema de ar condicionado automático com indicação digital, cartão mãos livres com botão para abertura à distância da bagageira, travão de estacionamento elétrico, câmara de marcha-atrás, sistema de ajuda ao estacionamento dianteiro e traseiro e ativação automática dos limpa-vidros. Nesta versão tivemos também direito a um teto de abrir que traz mais luz e um toque ainda mais cool. Quanto a dispositivos de segurança, a presença de novos sensores de pressão de porta e de um acelerómetro permite uma deteção antecipada das colisões laterais para uma ativação mais rápida dos novos airbags tipo cortina e laterais que protegem o abdómen, o tórax e a cabeça. Contamos com seis airbags, cintos de segurança com limitador de esforço, pré-tensores à frente e atrás e chamada de emergência em caso de acidente (botão SOS situado ao nível da luz de teto). Além do limitador de velocidade e do ESC da última geração propostos de série, do regulador de velocidade com comandos ao volante, temos o sistema de travagem ativa de emergência, o sensor de ângulo morto, sistema de ajuda ao estacionamento e sistema de ajuda ao arranque em subida. Em suma, esta versão está muito bem equipada, e apesar da simplicidade ser ponto-chave nos Dacia, apresentam alguns “gadgets” úteis e sistemas de segurança que não receia muito a concorrência.

Consumos

Com esta motorização (já lá vamos), a Dacia anuncia um consumo combinado de 5,5 L /100km. Um número interessante, mas que será difícil de atingir no dia a dia. No final do teste, o consumo médio foi de 6,5L/100km, mas sem qualquer cuidado com as acelerações. Com uma condução mais cuidada, o consumo médio pode baixar para mais perto dos 6L/100km. Há também a opção “Eco” que torna o motor mais frugal, mas a diferença não é significativa. 

Ao volante

O Sandero Stepway é um carro agradável de conduzir, com um pisar que não fica a dever muito a outros do mesmo segmento. Não é tão refinado em relação à concorrência de outras marcas, mas apresenta uma suspensão que não é muito dura e por isso absorve bem as irregularidades do asfalto. A direção, para viagens ditas normais, cumpre na íntegra. A ritmos um pouco mais elevados e em traçados mais sinuosos, há algum adornar de carroçaria e a direção torna-se um pouco mais vaga. Mas certamente que os interessados neste modelo não estão interessados nas capacidades dinâmicas do carro. No geral, é um carro agradável de conduzir, “bem-disposto” e que cumpre tudo o que se espera de um carro deste segmento.  No que diz respeito ao controlo das várias funcionalidades do carro, os botões de “cruise control” e de limitador de velocidade são fáceis de usar, toda a informação é apresentada de forma simples e poucos cliques garantem o acesso aos dados que queremos do computador de bordo. O controlo do sistema media, é feito pelo já habitual controlo instalado na coluna de direção, que alguns podem achar já antiquado, mas que, pessoalmente, me parece uma solução confortável, depois da devida habituação. A visibilidade é boa, a posição de condução também e no geral, a experiência é muito boa, olhando aos valores de aquisição.

Concorrentes

Hyundai Bayon – Desde 22 mil euros

Toyota Aygo Cross – Desde 18 mil euros

Renault Captur – Desde 24 mil euros

Suzuki Ignis – Desde 19 mil euros

Citroen C3 Aircross – Desde 20 mil euros  

Kia Stonic – Desde 18 mil euros

Motor

O motor ensaiado é a versão de 110Cv do motor três cilindros TCe (que já só está disponível na versão Extreme. A escolha por este motor leva-o portanto para o topo de gama do Stepway). É um motor cheio de vitalidade, com um som característico que agrada aos ouvidos dos condutores mais ligados às sensações auditivas dos motores. Não tem medo de baixas rotações e enfrenta subidas sem grande trabalho de caixa.  Tem uma caixa um tudo-nada dura demais, mas que se opera com facilidade e agrado. O escalonamento da caixa é divertido para conduções mais agressivas. Para passeios de domingo e uma condução relaxada, é preciso algum controlo para evitarmos algumas acelerações e trocas de caixa mais ríspidas. O modo Eco ajuda a dissipar essa necessidade.

Balanço final

Pode parecer um exagero, mas este Sandero deixou-me com um sorriso. Está longe de ser um topo de gama, nem tem pretensões de o ser. É um carro muito competente, com um preço deveras interessante para o equipamento disponível. Já não olhamos para o Sandero e vemos características de um veículo “low cost”. Não são necessários muitos compromissos para escolhermos um Sandero, atualmente. Se pretender um carro barato, simples, eficaz, prático, pronto para enfrentar estradas mais danificadas, com espaço suficiente e bom equipamento, esta é uma solução que certamente terá de incluir na sua lista. Se pretende algo mais refinado no que diz respeito a interiores, sensações de condução e prestações, procure noutro lado. Mas o Sandero segue fielmente a filosofia Dacia, de dar o melhor possível (e até um pouco mais) por um preço muito interessante. Quem cumpre os objetivos e até dá um pouco mais, só pode ter boa nota. 

Mais

Visual mais fresco, bom nível de qualidade e equipamento para o preço

Menos

Os aspetos menos positivos são facilmente justificáveis com o preço final.

Ficha técnica

Motor: TCE 110cv  Cilindrada: 999 cm3  Binário Máximo: 200 Nm  Versão: Stepway Expression  Combustível: Gasolina 95/98  Caixa de Velocidades: Caixa manual 6 velocidades  Interiores: Estofos em tecido Stepway  Cor: Laranja Atacama  Jantes: Jantes em liga leve 16″ diamantadas    Opções: 

  • Pack Safety 

o Sistema de ajuda ao estacionamento dianteiro e traseiro  o Câmara de marcha-atrás  o Alerta de ângulo morto   

  • Pack Hands-Free 

o Banco do condutor regulável em altura  o Travão de estacionamento assistido  o Cartão mãos-livres  o Consola central semi-elevada c/apoio de braço e local de arrumação • Sistema multimédia Media Nav 8″  o Media NAV: ecrã tátil 8”, navegação, rádio DAB, replicação de smartphone, Bluetooth® o Cartografia Europa Ocidental TMC  o Infotraffic 3 anos atualização mapas navegação    Equipamento de Série:   

  • Personalização exterior: 

o Barras de tejadilho longitudinais modulares   

  • Segurança: 

o Deteção da pressão dos pneus  o Airbags laterais, airbag central dianteiro, cortinas  o Chamada de emergência E-Call o Assistência à travagem de emergência  o ESP + Sistema de ajuda ao arranque em subida (HSA)   

  • Condução 

o Sensores de chuva e de luminosidade  o Quadro de instrumentos TFT 3,5″  o Volante em couro o Volante regulável em altura e profundidade  o Vidros laterais e óculo traseiro sobreescurecidos   

  • Iluminação 

o Luzes diurnas em LED  o Faróis de nevoeiro em LED  o Iluminação na bagageira o Iluminação de teto   

  • Climatização 

o Ar condicionado automático   

  • Conforto 

o Elevadores elétricos dos vidros traseiros  o Elevadores elétricos dos vidros dianteiros com função de impulso do lado do condutor  o Compatível com Android Auto™ e/ou Apple CarPlay™ o 2 entradas USB nos lugares dianteiros + 2 nos lugares traseiros  o Banco traseiro rebatível 1/3-2/3  o Tapete na zona da bagageira  o Teto de abrir elétrico Detalhes Técnicos   

  • Consumos e Emissões 

o Consumo em WLTP ciclo combinado: 5.5  o CO2 em WLTP ciclo combinado: 125  

  • Performances 

o Velocidade máxima (Km/h): 183  o Aceleração 0-100 Km/h (s): 10.00   

  • Travagem 

o Travagem traseira: Tambores  o Travagem dianteira: Discos Ventilados   

  • Pneus o Referência: 205/60 R16 

 

  • Dimensões 

o Comprimento total (mm): 4099  o Largura exterior (mm): 2007  o Altura ao solo (mm): 1587  o Volume mínimo da bagageira (dm3): 328  o Volume máximo da bagageira (dm3): 1108  o Reservatório de Combustível (L): 50   

  • Aerodinâmica 

o Nível de ruído em movimento db (A): 69.0  o Coeficiente Aerodinâmico S(M²)/Cx: 0,371    

Preço da versão ensaiada (Euros): 21800.00€